A QUARTA CARTA PÁGINA 15
Remetente: Do gabinete do CHRONISTA, quarto 587 da Casa 54, na quadragésima quarta rua.
Destinatário: Ao nobre agente do acaso. Ao redor de cada esquina, atravessando cada ponte — visitando os habitantes do mundo
Caro Acaso,
Verdadeiramente, meu ânimo se acha um tanto melhor que dantes, meu silencioso companheiro. Sei eu que, embora não o manifestes claramente, tens fitado com atenção Vera Cruz; e parece-me que, diante das estátuas dos anjos, se acendeu, de fato, um tênue fio de esperança de que à justiça seja dado tornar.
Os maus poderão, enfim, pagar pelos vis crimes que cometeram e, decerto, é meu desejo que assim seja. Não direi muito, para que não se cante vitória antes de chegado o momento propício; mas a mulher encarcerada logrará sair, e aqueles que veneram o mal tremem, ou ao menos assim aparentam, diante dos soldados do povo.
Até o rei, encarcerado, entrou na barganha.
Mas, decerto, hei de tornar depois do vigésimo quinto dia, não revelarei o mês, deste ano do Senhor, para contar-te aquilo que vi.
Fiel à minha pena, sigo vigilante.
De vosso velho amigo,
— CHRONISTA